Inteligência Brasileira

Astrojildo Pereira (1890-1965) é autor de um importante texto “Tarefas da Inteligência Brasileira”, publicado em 1944, pelo qual apresenta propostas que, um ano depois, são debatidas durante o “Congresso de Escritores” em São Paulo. O estudioso das letras entende que o caminho passa pela educação, pela alfabetização do ensino primário ao ensino superior, pois não basta aprender a escrever, é preciso aprender a entender o que se lê e a pensar, conceito pregado por Paulo Freire e retomado nas duas últimas décadas, para a formulação de políticas educacionais.

Muitas propostas embutidas e defendidas no texto de Astrojildo, que participou da efervescência intelectual modernista, foram desenvolvidas pelo Cinema Novo, pelo Tropicalismo, pelos teatros de Arena e Oficina.

Astrojildo, seu grupo de pessoas, e Machado de Assis, que nele exerceu grande importância para a sua formação, pensaram uma política cultural para a nação, dentro dos limites de suas épocas.

A idéia neste blog é debatermos uma noosfera brasileira, já que “(…) desse reencontro com as nossas coisas, num clima criador, poderemos atingir uma nova estrutura de idéias (…)” (Tarsila do Amaral).

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Os Simples

Os Simples

de Guerra Junqueiro

DE VOLTA
(Crepúsculo. Novembro. Pela encosta fria e desnudada vae andando, esfarrapado e exangue, um pobresinho triste, arrimado ao bordão.)

UM LAVRADOR
(de cem annos, ainda robusto, à porta do casebre)

Mendigo d’olhos sem esp’rança,
Vaes-te perder na escuridão…
Entra em meu lar; dorme; descansa…

O POBRESINHO
(andando sempre)

Quem dera a paz divina e mansa,
Velho, que tens no coração!…

UMA VELHINHA
(a rezar à porta do moinho)

Mendigo d’olhos sem ventura,
Dentro da azenha há um enxergão,
Terás lençoes, terás fartura…

O POBRESINHO
(andando sempre)

Eu só quizera essa candura,
Irmã da Graça e da Ilusão!…

UMA CAMPONEZA
(que vem da vindima)

Mendigo d’olhos d’engeitado,
Na nossa casa há vinho e pão;
E há leite fresco; e há mel doirado…

O POBRESINHO
(andando sempre)

Tua alegria sem cuidado,
Eis o que eu busco… em vão! Em vão!…

UMA PASTORINHA

Mendigo d’olhos de coveiro,
Trago a merenda no surrão;
O queijo é bom, mas é grosseiro…

O POBRESINHO
(andando sempre)

Dá-me teu riso feiticeiro,
Lirio do monte inda em botão!

UM PEDINTE
Mendigo d’olhos na agonia,
Dou-te o meu manto e o meu bordão;
Nada mais levo… a noite é fria…

O POBRESINHO
(andando sempre)

Apenas ai! Desejaria
Tua cristã resignação!

A ESTRELA VESPER

O’ sonhador louco d’outrora,
Teus sonhos lindos onde estão?!
Ébrio de luz, rico d’aurora,
Vi-te partir… e vejo agora
Um morto erguido d’um caixão!

Teus olhos fulvios namorei-os
De dia e noite, da amplidão:
Vi-os sorrir entre gorgeios,
Vi-os cantar e vi-os cheios
De pranto e febre e indignação!

Regressa enfim, é teu destino,
A’ paz obscura, à submissão…
E outra vez meigo e pequenino
Deixa dormir, como um menino,
Teu velho e exausto coração!…

O POBRESINHO
(chorando)

Só tu, estrella, me conheces
Em minha dor, minha afflição!
Só tu não dormes, não esqueces…
Só tu ouviste as minhas preces…
Bemdito, estrella, o teu clarão!

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Sustentabilidade

Luiz Watson afirmou, quando entrevistado pelo Jornal do Brasil em 1970: “Considerando a educação como mecanismo fundamental para a formação de uma infra-estrutura social, entende-se que toda vez que se leva às comunidades de menor desempenho sócio-econômico algum fator gerador de desenvolvimento, deve-se providenciar, simultaneamente, a execução de programas educacionais globais, neles enfatizando a formação, a especialização e o treinamento. Assim procedendo, oferece-se à população condições para se integrar no processo de desenvolvimento, podendo suportar social e economicamente um novo padrão de vida”.

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